31 janeiro 2008

Quando surgem muitos «Calebs»

Na congregação que pastoreamos (Baptista – Caldas da Rainha) há duas pessoas que nasceram antes do princípio da Primeira Guerra Mundial: uma delas veio para o nosso meio há pouco tempo e frequenta os cultos, com a sua esposa. Fez 94 anos na última noite de Natal. Chama-se Marcelino e esteve muitos anos na Igreja Evangélica de Peniche. (Caleb, quando aparece em Josué 14:10, só tem 85!)

Temos vários outros elementos idosos: os irmãos Júlio e Gertrudes Jacob, antigos membros da Igreja Baptista de Tremês, que têm 91 anos cada e, segundo os meus cálculos, estão casados há 68 anos. Temos os irmãos Manuel Jorge Duarte e a Ir. Isabel, casados há 66 anos. Uma das bisnetas destes irmãos já tem 18 anos. Em Angola, onde viveram muitos anos, tiveram ministérios muito apreciados no ensino e na hospitalidade.

Recentemente chegaram o irmão Fialho e a esposa – também de Tremês – com 88 e 87 anos repectivamente. No primeiro dia que vieram ao culto, o irmão Fialho veio a conduzir o seu carro da aldeia, a 5 kilómetros da cidade, onde agora residem com a sua sobrinha. Quando eram membros da Igreja Baptista de Alcobaça, há muitos anos, o Pt. António dos Santos Martins chamou-os è frente um dia, para lhes dar prémios de assiduidade e pontualidade!

Temos outros irmãos idosos que estão connosco há mais alguns anos e são bem conhecidos na congregação.

Não estou a tentar que a nossa igreja se candidate para o Livro Guinness de Records! Também não quero transmitir a ideia de que é uma igreja de idosos – isso seria entendido como uma avaliação negativa. Também temos membros e participantes regulares muito mais novos, incluindo um grupo pequeno mas animado de «júniores» - de 8 a 12 anos.

Mas esta situação dos idosos tem chamado bastante a nossa atenção - por várias razões.

Uma delas é que nenhum irmão, dos mencionados nos três primeiros parágrafos, é membro da igreja há muito tempo. Os membros da igreja que já estavam quando nós chegámos a Caldas da Rainha em 1991 eram outros – por uma razão ou outra a grande maioria deles nos deixaram. Isto significa que Deus trouxe-nos membros idosos – não faziam parte da história dos primeiros tempos do trabalho.

Outra razão é que, na medida em que conhecemos estes irmãos, vamos recolhendo dados extremamente importantes – de Tremês, de Peniche, de Angola, entre outros lugares. Em geral não são pessoas melancólicas, agarradas ao passado, nem muito queixosas por causa das suas dores. Alguns deles, contrariamente às aparências, trazem-nos um autêntico «sopro de ar fresco»! Pelo menos no sentido espiritual, alguns deles são manifestamente «tão fortes como no dia em que....» começaram a dar testemunho da sua fé (cf. Josué 14:10-11).

Por vezes, é verdade, os participantes mais novos na congregação não sabem muito acerca dos irmãos idosos – às vezes nem sequer os nomes. Esta é uma falta que estamos a tentar corrigir.


O que queremos conseguir, nesta etapa do ministério da nossa igreja, é transmitir a estes irmãos que a sua vinda até nós não é um peso ou uma preocupação mas sim uma resposta de Deus às nossas orações. Quando pedíamos que o Senhor nos desse novos membros, podíamos estar a pensar em novos convertidos e em jovens – mas não é menos significativo que a Sua resposta tenha sido trazer irmãos que nos podem enriquecer com toda a sua experiência. Muito do que teríamos que ensinar a jovens, estes irmãos idosos já sabem, há muito tempo. Nós é que temos a obrigação de aprender deles.

E queremos que haja comunhão e convívio – sem ser preciso fundarmos um «centro de dia» que careceria de reconhecimento oficial. Queremos viver em família de uma maneira que tanto os idosos como os outros possam sentir que vale mesmo a pena.

É por isso que aproveito o facto de termos este «blog» para pedir ideias e trocar impressões. (Sei que o «blog» é do Canto da Rola e que aqui falo mais como pastor. Mas em muitos aspectos os nossos diferentes ministérios estão interligados):


  • Como é que sentem em relação com crentes idosos nas vossas congregações?

  • Acham, ou os mais jovens acham, que os hinos que eles valorizam são uma «seca», relíquias de outros tempos que devem ser descartadas o mais depressa possível?

  • Como é que dirigem as actividades – cultos, Escola Dominical, etc. - de maneira a aproveitar aquilo que os idosos podem dizer, sem que as participiações, por serem um pouco longas ou repetitivas – sejam tomadas como maçadores?

  • Gostam de conversar com eles – ou isto é apenas uma cortesia que lhes dão em meio de outros contactos «mais interessantes»?

  • Que tipo de actividades especiais fazem para eles? Como é que ajudam os mais novos a sentir que é bom estarem a serviço deles, durante uma hora ou duas, de vez em quando, pelo menos?


E têm mais alguma coisa a partilhar?