25 março 2008

A graça de Deus em Marraquexe


Desta vez vão fotografias de Marrocos, de onde acabo de regressar de uma viagem inesquecível com um grupo de jovens.

A iniciativa foi de membros da Missão Horizontes e da turma de Missões no Seminário Baptista. Por razões que já expliquei substitui o Pastor Paulo Pascoal nessa viagem. (Só que ele tem 39 anos – e eu 57!) E a viagem foi de carro (um dos dois que foram foi o nosso – que tem 12 anos!) – e andámos muitos kilómetros a pé em Marraquexe!

Graças a Deus, sentimos a Sua protecção e bondade em tudo o que aconteceu.

No blog não queria contar a história toda. Venham aqui ao Centro e poderei contar mais! Mas queria deixar duas ou três impressões que foram ganhando forma na minha mente ao longo destes dias.

  1. Os crentes árabes que nos receberam são profissionais exemplares que leccionam numa boa escola, reconhecida oficialmente – áreas como gestão e línguas, especialmente árabe para estrangeiros. O país tem uma minoria diminuta de cristãos e às vezes estes trabalham seriamente durante anos sem surgir qualquer «conversão». Mas o número de contactos de amizade que estes irmãos têm é impressionante. Explicaram como temos que desenvolver amizades, abrindo-nos para nos apresentar, e apresentar a nossa família, e dando tempo para ouvirmos sobre eles e a sua família. Desta maneira, passo a passo, podemos chegar a partilhar com eles as nossas convicções profundas. Quem vier a ser o nosso amigo o será a sério. Estes irmãos não pedem para cristãos estrangeiros irem evangelizar o seu país – num sentido de distribuir folhetos ou realizar actos públicos - que seria contrário à lei. Mas ficam animados quando vamos fazer parte deste processo de evangelização sensível, mediante a amizade, processo este que envolve poucos riscos.

(2) Os preconceitos que temos acerca das culturas árabes e muçulmanas em geral precisam de ser radicalmente abandonados – antes de conseguirmos fazer qualquer tipo de amizade ou evangelização significativas. Temos que compreender a doutrina, ignorada pela maior parte dos evangélicos, da «graça comum», que faz com que as riquezas de Deus possam ser vistas e sentidas na vida de exemplo de pessoas que não acreditam em Cristo, até ao ponto de estes nos darem importantes exemplos em algumas áreas. Para conseguir este objectivo os responsáveis desta excursão, organizaram a estadia do grupo em duas casas de famílias islámicas, uma árabe e a outra berbere, durante dois dos dias em que estivemos em Marraquexe.

(3)A família que me recebeu, juntamente com cinco jovens, foi um modelo de hospitalidade que nos marcou e de que nunca nos iremos esquecer. Uma família humilde – o pai é merceeiro – com quatro filhos, entre 6 e 18 anos. Uma família em que o pai se sente líder espiritual e responsável pela hospitalidade e a orientação dos seus filhos. O pai recolhe-se e ora numa sala adjacente, nas horas estipuladas para isso. Se é verdade que a maior parte do trabalho na cozinha fica com as mulheres, o peso do trabalho total envolvido na hospitalidade e organização do lar está bem dividido entre o marido e a mulher. Depois da refeição a mulher e as filhas vêm para a sala e são elementos extremamente comunicativos - e mesmo criativos - na arte de comunicar com pessoas com as quais quase não há uma língua comum.


(4)Em última análise sabemos que Cristo é o único caminho para a salvação. E sabemos que o Corão e a Bíblia têm entendimentos acerca da pessoa de Jesus que não são conciliáveis. Como cristãos que nos sujeitamos à autoridade da Bíblia não podemos ser «pluralistas», admitindo, por exemplo, que a salvação possa ser por obediência à lei e aos preceitos de Maomé. Mas acredito que os islámicos possam ser em muitos casos «Cornélios» (ver Actos 10:1-2). Se for assim, quem dirá que as suas orações e esmolas não poderão «subir para memória diante de Deus»? Acredito que pode ser preciso tanto eles como os cristãos terem visões de Deus, para eles poderem vir ao conhecimento de Cristo. Só que me parece que, no caso de Cornélio, os principais obstáculos no início eram do lado do crente, de Pedro, e não de Cornélio. Será que deixaremos que Deus opere em nós de tal maneira que possamos abandonar os nossos pre-conceitos e estar no lugar certo, com a atitude certa, para receber os «Cornélios» a quem Ele abraçar com a Sua graça, mostrando-lhes o caminho de salvação por Jesus?