15 dezembro 2007

Belém: a Cidade onde Jesus nasceu.

NATAL 2007: Alguns pensamentos de Alan e Celeste Pallister.

A entrada principal em Belém na actualidade passa por esta barreira de blocos de cimento. Sob domínio palestiniano desde os Acordos de Oslo de 1995, tem sido o cenário de incidentes violentos - com a morte de residentes cristãos e israelitas - e com a retaliação de israelitas - o que tem levado cada vez mais cristãos a emigrarem.

Qualquer história da cidade mostrará como a Igreja da Santa Natividade – construída em 326 d.C., no local em que se supõe que Jesus nasceu, por altura da visita à cidade de Helena, mãe de Constantino – tem sido o centro de reivindicações, contra-reivindicações e derramamento de sangue.

Seria uma tentação recuar na história para tentar encontrar uma época feliz no passado em que Belém era um local idílico e próspero – não é verdade que o nome significa «casa de pão»? É verdade que o Rei David nasceu em Belém, mas nada no relato da sua chamada do seio de uma família humilde parece ter a ver com o lugar de nascimento de um rei. A sua bisavó moabita, Ruth, foi a Belém e casou com um homem respeitável da terra, atingindo assim uma certa proposperidade. Mas o seu primeiro marido juntamente com ela e com os seus dois filhos tinham fugido de Belém para o território dos moabitas, por causa da fome. Só se tornou uma cidade «de pão» quando Deus de alguma maneira interveio.

A história pavorosa em Juízes – de uma concubina de Belém que foi dada para satisfazer a cobiça sexual de habitantes perversos e depois morreu, sendo o seu corpo dividido em doze partes e distribuído pelas tribos de Israel – também deve ser referida. A história deve ter sido contada durante muitas gerações, fazendo arrepiar os visitantes.

Quando Jesus nasce na cidade de Belém, a pobreza e dureza da situação são manifestas – apesar dos cartões de Natal que conseguem dar a ideia de que o lugar de nascimento numa manjedoura é idílico e pitoresco. E o ambiente de violência arrepiante ressurge de imediato quando o rei Herodes, cheio de ciúmes e temendo pelo seu trono, manda matar todos os bebés de sexo masculino, com dois anos ou menos, em Belém e arredores – situação esta da qual José e Maria só conseguem salvar o bebé Jesus porque são avisados por um anjo e fogem.

Depois do nascimento de Jesus, a história de Belém é extremamente perturbadora. Tragicamente a própria igreja da Natividade, que foi construída para comemorar o Seu nascimento, tem sido o foco de séculos de conflito e violência.

Mesmo assim, o profeta Miqueas profetizou que Belém seria o lugar de nascimento do Rei (Miqueias 5:2). Mateus, que cita uma versão desta profecia, diz que a cidade não é «de modo nenhum a menor entre as capitais de Judá». Pode não ter sido um lugar grande em si, mas tem uma grandeza derivada do facto de o Messias ter nascido aí.

A graça de Deus é assim. Vem até vidas desfeitas por conflito e angústia e traz-lhes a paz e o pão da Sua presença. Mas só experimentamos esta graça na medida em que andamos em obediência a Ele.

Ainda não criou nenhum paraíso na terra para o qual possamos retirar-nos para estarmos imunizados contra os efeitos da injustiça e violência humanas. Nem sequer as casas de familiares para as quais gostamos tanto de nos retirar no Natal. Nem sequer «O Canto da Rola», que é um lugar bastante agradável e (em geral) pacífico para passar uma temporada! A Sua paz, que transforma a Belém do sangue e da guerra na cidade do Rei, age de uma forma sobrenatural nas nossas vidas de maneira que, sejam quais forem as pressões às quais estamos sujeitos, podemos ser canais e instrumentos da Sua paz.