27 agosto 2009

Ora são vocês... ora somos nós

O padrão repete-se nos países democráticos: ora P.S. ..... ora P.S.D., ora trabalhistas, ora conservadores. Pode haver uma Thatcher ou um Blair que se mantenham mais algum tempo .... mas chega o dia em que o povo reclama a mudança.
Cedo no meu ministério pastoral tive que considerar a validade deste modelo de poder ...... dentro de uma igreja. Só que com uma diferença. Os dois «partidos» não tinham nomes como os partidos têm: eram blocos familiares que se ocupavam alternadamente do trabalho da Escola Dominical, por exemplo, mas nunca os dois ao mesmo tempo.
O pastor não fazia parte de nenhum destes blocos. Para ele ter sido chamado – também por voto democrático – tinha que, de alguma maneira, ter reunido o acordo dos dois blocos. Ou podia não ter havido grande alternativa ... e era chamado mesmo assim (como pode ter sido o caso comigo!). Depois o pastor tinha que aceitar o modelo do poder alternado, tentando manter um equilíbrio difícil, «deitando água na fervura» nas alturas de maior conflito.
O seu papel também era presidir em reuniões deliberativas, habitualmente tempestuosas. Mas não era ele que dava linhas de orientação – mesmo sobre questões de fundo. Era apenas o «presidente da mesa» (estava obrigado a isso pelos estatutos). Quando muito podia «elaborar propostas» para a Junta Administrativa considerar e era esta que, se concordasse, as apresentava à igreja: só que a Junta tendia a ter elementos de ambos os blocos e dificilmente sairia de um corpo tão anómalo alguma orientação de fundo que tivesse interesse.
Aqueles que pretendiam forçar as suas posições – ou que, sendo criticados, pretendessem defender-se - geralmente faziam-no pedindo demissão das suas funções e voltando depois a elas (para “salvar o barco” em momentos de crise), deixando de dar os seus dízimos durante meses seguidos (para o pastor ter que lhes perguntar qual era o problema) ou deixando mesmo de ser membros da igreja (porque depois, a seguir a uma crise mais profunda que inevitavelmente havia de surgir, podiam voltar).
Quando havia questões delicadas que precisavam de ser votadas nas reuniões de igreja, podia haver um trabalho intensivo, junto aos membros mais moderados ou menos prevenidos, para tentar granjear votos. Assim foi, por exemplo, quando faltava um presidente para a União de Homens (grupo este que não existia de facto – mas como o seu «presidente» tinha assento na Junta, alguém tinha que ser eleito!).
Uma das tónicas no meu ensino, nos primeiros tempos, teve que ser que a igreja é em primeiro lugar uma teocracia, mais do que uma democracia. Por não ter uma natureza autocrática, não tendia, como alguns pastores talvez tendam, a cair no erro de confundir a teocracia com o governo da igreja pelo pastor.
Ensinava o envolvimento de todos os crentes nas decisões da igreja (como parte do seu sacerdócio).
Mas a democracia, nos termos que se pretendiam, não me convencia.....